O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi o principal vitorioso politicamente pelo resultado do primeiro turno das eleições de 2026, na avaliação do cientista político Antônio Lavareda.
"Foi Jair Bolsonaro. Esse é o grande vitorioso", afirmou.
Com 19 senadores e 121 deputados federais eleitos, e grande parte inidicado ou passado pelo aval do ex-presidente, PL se tornou o maior partido político do Brasil disparado, além de grandes chances de ter o presidente Flavio Bolsonaro eleito
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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi o principal vitorioso politicamente pelo resultado do primeiro turno das eleições de 2026, na avaliação do cientista político Antônio Lavareda.
"Foi Jair Bolsonaro. Esse é o grande vitorioso", afirmou.
Segundo o especialista, o desempenho de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial demonstrou a força eleitoral de uma escolha que havia sido questionada por dirigentes partidários e analistas políticos.
Lavareda afirmou que a decisão do ex-presidente de apoiar a candidatura do filho, em vez de abrir espaço para o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), contrariou parte das expectativas de partidos políticos.
"Jair Bolsonaro encarou o descrédito da sua escolha e se contrapôs aos líderes do Centrão, se contrapôs à opinião da grande mídia, em boa medida, e bancou a candidatura do seu filho, e hoje se vê que foi uma escolha vitoriosa", afirmou Lavareda.
A escolha de Flávio ocorreu em meio às restrições impostas a Jair Bolsonaro pela Justiça. O ex-presidente foi condenado em setembro de 2025 pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Bolsonaro começou a cumprir a pena em novembro de 2025 e passou pela unidade prisional conhecida como Papudinha, em Brasília. Desde março de 2026, cumpre prisão domiciliar humanitária, concedida pelo ministro Alexandre de Moraes após complicações de saúde.
Mesmo com Jair Bolsonaro cumprindo pena e submetido a restrições judiciais, Flávio chegou ao segundo turno da eleição presidencial após obter 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.
Segundo Lavareda, a candidatura de Flávio Bolsonaro enfrentava resistência e desconfiança de parte dos analistas e dirigentes políticos quando foi definida pelo ex-presidente.
Na avaliação do cientista político, Tarcísio de Freitas já havia construído, no final de 2025, uma articulação partidária que poderia sustentar uma candidatura presidencial.
Lavareda afirmou que o governador paulista reunia naquele momento uma aliança semelhante à que Flávio passou a construir ao longo da campanha.
"Agora, Tarcísio de Freitas já tinha aquela coligação, essa coligação de hoje, estabelecida, razoavelmente consolidada, naquele momento, antes do Natal de 2025", disse.
O cientista político destacou que Jair Bolsonaro manteve a escolha pelo filho mesmo diante de avaliações contrárias.
Para Lavareda, o resultado do primeiro turno deu sustentação política à decisão do ex-presidente de priorizar uma candidatura da própria família.
Lavareda relacionou o desempenho de Flávio à capacidade de transferência do capital político construído por Jair Bolsonaro ao longo de sua trajetória.
O cientista político utilizou conceitos do marketing para explicar a decisão do ex-presidente de apostar em uma candidatura da própria família.
"Ele apostou na marca; falando em marketing, ele apostou na marca corporativa. E um produto saído da família, um produto ligado a ele, um produto que levava de pronto, pela associação do sobrenome, levava o seu capital político-eleitoral", afirmou.
Na avaliação de Lavareda, a associação direta entre o nome de Flávio e o do pai permitiu à candidatura aproveitar o reconhecimento e os vínculos políticos construídos pelo ex-presidente junto ao eleitorado.
O capital político-eleitoral, nesse contexto, corresponde ao conjunto de apoios, vínculos e reconhecimento público acumulados por uma liderança e que podem influenciar outras disputas eleitorais.
Lavareda destacou que Flávio chegou ao segundo turno com desempenho percentual superior ao obtido pelo pai no primeiro turno de 2022.
Segundo o cientista político, Flávio Bolsonaro obteve dois pontos percentuais a mais do que Jair Bolsonaro havia registrado na primeira etapa da eleição presidencial anterior.
A comparação foi utilizada pelo especialista para sustentar sua avaliação sobre a capacidade de mobilização do eleitorado associado ao ex-presidente.
Além da escolha presidencial, Lavareda destacou a integração entre a campanha de Flávio Bolsonaro e as candidaturas legislativas do Partido Liberal (PL) .
Segundo ele, a estratégia permitiu associar as disputas para a Câmara dos Deputados, assembleias legislativas e Senado à candidatura presidencial.
"Deputados federais, deputados estaduais, senadores, todos os candidatos extremamente integrados, realizando uma campanha extremamente integrada e tendo como núcleo central a campanha de Flávio Bolsonaro", afirmou.
Na avaliação de Lavareda, essa organização ajudou o PL a ampliar sua presença no Congresso Nacional e a fortalecer sua estrutura eleitoral.
"O PL se constituiu, se enraizando na sociedade, no momento das eleições, como o maior partido do país. É isso que a campanha do PL nos apresentou agora", disse.
O cientista político também relacionou o resultado ao avanço da polarização ideológica, que, segundo ele, reduziu parte do espaço anteriormente ocupado por legendas do chamado Centrão.
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