Master: PF apreendeu mais de meio milhão em espécie em endereços ligados a Ciro Nogueira
A Polícia Federal (PF) apreendeu em endereços ligados ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) cerca de R$ 614 mil em espécie na quinta fase da Operação Compliance Zero, em maio deste ano, em diligências autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Os relatórios com as cifras vieram à tona na última sexta-feira (11), após o ministro André Mendonça levantar o sigilo de mais documentos ligados ao caso Master. O valor é a soma de tudo o que foi apreendido em imóveis do senador e em um cofre na casa de seu irmão.De acordo com os policiais, foram encontrados R$ 31.760 e 14.070 euros — cerca de R$ 83 mil na conversão atual — em um cofre no imóvel do senador em Teresina (PI). Ciro, no entanto, estava em sua casa em Brasília, que também foi alvo de diligências. Por lá, a PF apreendeu US$ 27.735 — cerca de R$ 143 mil na conversão atual — e 1.555 euros — cerca de R$ 9,2 mil — no escritório do parlamentar.Ainda na capital federal, a polícia mencionou no relatório a existência de “várias malas de viagens vazias em nome de terceiros” na casa de Ciro, o que levantou a suspeita de possível utilização para o transporte do dinheiro em espécie.“A diligência também evidenciou sinais de elevado padrão econômico, a exemplo de adega contendo vinhos e whiskies de alto valor e diversas bolsas de grife internacional. No closet, foram identificadas várias malas de viagem vazias com etiquetas em nome de terceiros, incluindo familiares do investigado, circunstância que levantou suspeitas quanto à possível utilização para transporte de valores”, diz o documento, que também mencionou a apreensão de joias e relógios de luxo que estavam no cofre do senador.Ciro é suspeito de ter recebido vantagens indevidas de Vorcaro por ter atuado em favor de seu banco no Congresso Nacional, e chegou a ter viagens para o exterior pagas pelo banqueiro, de acordo com a PF.Em 2024, Ciro apresentou uma proposta que ficou conhecida como “emenda Master”. O objetivo do texto era ampliar para R$ 1 milhão o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que hoje tem limite de R$ 250 mil, o que poderia atrair novos investidores para o banco. Conforme mostrou o blog, ele também atuou nos bastidores para impedir a instalação da CPI do Master no Senado.Em outro endereço atribuído ao presidente do PP, a polícia também encontrou dinheiro em espécie em diferentes moedas — real, dólar e euro —, mas considerou os valores “compatíveis com a capacidade econômica” da moradora do imóvel, a ex-senadora Eliane Nogueira, mãe de Ciro.De acordo com a PF, a quantia, que não foi mencionada no relatório, não foi apreendida “por não apresentar indícios de vinculação com os fatos investigados”.Já na casa de Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão de Ciro e suspeito de atuar como intermediário do banqueiro Daniel Vorcaro no repasse de vantagens financeiras indevidas ao senador, a polícia apreendeu eletrônicos e veículos de luxo, além de 10.155 euros — R$ 60,1 mil na conversão atual — e US$ 55.733 — R$ 287,3 mil — em espécie. De acordo com ele, o cofre seria “familiar”.Considerando as três diligências, a PF apreendeu, em valores convertidos a partir da cotação atual, cerca de R$ 614 mil. À época, ao “considerar os câmbios médios” do momento da operação, o relatório apontou a apreensão de “um montante global estimado em cerca de R$ 589 mil”.“Questionado acerca da existência de valores em espécie, o alvo (Raimundo) indicou a presença de dólares e euros em um cofre familiar, afirmando que os recursos correspondiam a economias destinadas a viagens internacionais”, diz outro trecho do relatório.Questionado sobre o tema por meio de sua assessoria de imprensa, Ciro Nogueira não respondeu. O espaço segue aberto.Foi nessa mesma fase da Compliance Zero que os policiais apreenderam documentos que estavam na churrasqueira da casa de Ciro em Brasília.No papelório há um rascunho com a palavra “Câmara” e nomes escritos ao lado de números. Há menções a “Arthur”, “Hugo" e “Luizinho”, que o relatório da PF aponta ser “provavelmente” os deputados federais Arthur Lira (PP-AL), Hugo Motta (Republicanos-PB) e Doutor Luizinho (PP-RJ).“Ressalte-se que, ao lado de cada nome, há números e, em seguida, valores (provavelmente), o que carece de esclarecimento”, afirma o documento.O relatório aponta ainda que, durante o cumprimento do mandado, uma funcionária doméstica de Ciro afirmou que o senador ordenou que os documentos fossem queimados na churrasqueira, o que ela não fez “por ausência de tempo hábil”.Inicialmente, na noite de quinta-feira (10), o ministro havia determinado a liberação de outros materiais relacionados ao Banco Master, sem ligação com o presidente do PP.A Procuradoria-Geral da República (PGR), contudo, solicitou ao presidente da Corte, Edson Fachin, a retirada do sigilo de todos os documentos.O ministro Alexandre de Moraes chegou a sugerir uma “seleção subjetiva” por parte do colega e o acusou de atuar a partir de interesses políticos e eleitorais.
Master: PF apreendeu mais de meio milhão em espécie em endereços ligados a Ciro Nogueira
Apreensões ocorreram no âmbito das investigações sobre o caso Master; ex-ministro de Bolsonaro é suspeito de atuar em prol de Daniel Vorcaro no Congresso
Por Redação
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