China tem carros demais e mercado encolhe; Geely e Nio se unem
No cenário de contração do mercado e sobra de capacidade, gigantes Geely e Nio firmam acordo para unir operações de troca e recarga de baterias
Por Redação
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Foto: Fábrica de carros na china
Após anos em franca expansão, a China encara o desafio de ter capacidade industrial superior à demanda. Há fábricas suficientes para produzir todos os carros vendidos no mercado chinês e ainda atender toda a produção dos Estados Unidos e da Europa.
Ao mesmo tempo, as vendas de veículos no país caíram 20,8% nos primeiros oito meses de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. A retração do mercado ocorre em meio à redução do consumo das famílias chinesas, afetado pela queda nos preços dos imóveis.
“Há simplesmente montadoras demais na China — fusões, aquisições e reestruturações serão uma tendência daqui para frente”, afirmou David Zhang, professor visitante da Huanghe University of Science and Technology, em Zhengzhou.
Nio e Geely unem operação de troca de baterias
Um primeiro sinal de que uma onda de consolidações está por vir já acontece. Duas das principais fabricantes chinesas de veículos elétricos, Nio e Geely , anunciaram um acordo para combinar suas operações de recarga e troca de baterias. A operação ocorre em um momento de excesso de capacidade na indústria automobilística chinesa e de retração do mercado doméstico.
Pelo acordo, a Geely incorporará sua operação de troca de baterias à estrutura maior da Nio e pagará US$ 95 milhões por uma participação de 30% no negócio. A empresa resultante pretende chegar a 10 mil estações de troca de baterias até 2030. A Nio também ficará com 10% da divisão de carregadores da Geely, que deverá ter 22 mil estações até o fim do próximo ano.
As duas companhias pretendem coordenar o desenvolvimento de veículos relacionados às tecnologias de troca e recarga de baterias. Juntas, Nio e Geely venderam 1,3 milhão de veículos elétricos a bateria ou híbridos plug-in no primeiro semestre de 2026.
O movimento acontece duas semanas depois de a GAC anunciar planos de associação com a FAW, outro grande grupo automotivo chinês. O cenário reforça a tendência de consolidação da indústria.
Troca de bateria de carro elétrico
A troca de baterias permite substituir uma unidade descarregada por outra carregada em cerca de três ou quatro minutos. Uma recarga de 80% mesmo em um carregador muito rápido leva aproximadamente o dobro do tempo.
Apesar da vantagem em velocidade, a tecnologia de troca de baterias ainda é menos popular que os carregadores convencionais na China e em outros mercados.
O acordo entre Geely e Nio também representa um movimento em direção à padronização da fabricação de baterias, já que as empresas pretendem coordenar o desenvolvimento de seus veículos relacionados aos sistemas de troca e recarga.